Doutor Estranho é o 14º filme do universo cinematográfico da Marvel, que agora é Marvel Studios, e tinha a missão de introduzir um novo e importante herói para esse universo, ao mesmo tempo em que apresenta o conceito de magia.

Desde Capitão América 2 – O Soldado Invernal, de 2014, a Marvel soltou cinco filmes seguidos com qualidade acima da média (pelo menos na minha opinião), então eu estava confiante que Doutor Estranho não seria ruim.

Vamos começar com o que vale a pena no filme. O VISUAL. UAU! Que filme lindo! E isso não é só pela fotografia bem feita. Não é só pelos cenários precisos e bem incorporados às imagens geradas por computador que ficam ao fundo das cenas. Não é só pelos belos figurinos. É pela criatividade em representar o uso de magia. Conjuração de armas, manipulação de gravidade e o efeito caleidoscópico para retorcer a realidade foram maneiras acertadíssimas de fugir do clichê de luzes e lasers. Mais mérito ainda do filme é ter toda essa mistura visual na tela e nenhuma cena ser confusa ou difícil de acompanhar. De longe, o uso de magia é a melhor coisa do filme.

O elenco é de primeira linha e não decepciona. Benedict Cumberbatch consegue, sem esforço, entregar a jornada do herói pela qual Stephen Strange passa pela história, desde seu início egocêntrico e babaca até as mudanças pelas quais passa.. Cumberbatch entrega também algo já esperado dele: Presença. Afinal, é bem provável que a Marvel coloque o Doutor Estranho em um papel bem importante, central e de liderança no futuro dos filmes de seu universo cinematográfico, e ele consegue se impor bem na tela para assumir esse papel.

Tilda Swinton está ótima como a Anciã, do visual à excentricidade com a qual ela se porta e entrega suas falas, seu personagem é bem construído e executado. Mads Mikkelsen manda bem como o vilão Kaecilius, mas a Marvel continua com seu problema de falta de vilões memoráveis, não há tempo nem tentativa de explorar melhor o antagonista para torná-lo mais interessante. As esperanças residem agora em Chiwetel Ejiofor, que interpreta Mordo, que não é vilão nesse filme, mas sabemos pelos quadrinhos que ele virá a ser. Além do ótimo ator, o fato de Mordo já ter tido um começo nesse filme pode levar a um vilão bastante interessante em trabalhos futuros. Rachel McAdams tem o papel que ajuda a ligar o mundo mágico do Estranho com o real e o desempenha muito bem. E Benedict Wong interpreta, hã… Wong. Ele é apresentado como um bibliotecário que trabalha em Kamar Taj numa biblioteca que exemplifica a boa direção de arte do filme.

O roteiro é bem simples, talvez simples demais. É, em geral, bem amarrado, introduz conceitos bem explicados (em geral) e segue a fórmula Marvel de inserir comédia em certos momentos e de seguir uma história de origem com uma estrutura bem similar a outras que já vimos – cof Homem de Ferro cof . Em alguns momentos, um em particular que me chamou a atenção, há a necessidade de diálogos expositivos, mas às vezes é um pouco forçado, como uma fala grande que acontece durante uma luta, não pareceu nada natural. A comédia é boa, mas precisa ser em momentos certos. Há um momento específico do filme em que uma piada, até boa, é inserida, mas ela mata o nível de dramaticidade e importância da cena.

Se você viu os trailers, sabe que o filme conta a história do Stephen Strange, que é um cirurgião com conhecimento e técnicas bem acima da média e bastante arrogante por isso. Devido a um acidente, ele perde a precisão do controle das mãos e não pode mais exercer a profissão, ele se desespera e começa a buscar maneiras de se curar e precisa aprender a abandonar certas certezas em sua vida enquanto mergulha no desconhecido.

Como eu disse antes, o filme segue direitinho, a fórmula Marvel. É um pacotinho bem fechado e você sabe o que vai encontrar dentro. Sabe que um filme da Marvel nunca vai ter violência em grandes níveis, que a noção real de morte é quase inexistente, que haverá humor durante todo o filme para que ele nunca fique sério demais ou introspectivo demais.

Bom, aí depende de seu gosto. Se você quer que a Marvel mude, ouse, faça algo diferente do que ela sempre faz; você vai se decepcionar. Se você já espera que a Marvel entregue o que sempre entrega e não se incomoda com isso, você vai curtir o filme. Mais ainda sobre a fórmula Marvel é haver cena pós-créditos, duas nesse caso. Uma no meio e outra após os créditos.

De qualquer modo, se você é fã de filmes da Marvel, Doutor Estranho é mais do mesmo. E esse mesmo continua bom!

Se você quiser ver minha crítica em vídeo, está logo aí embaixo. Não deixe de se inscrever no canal. Também participei do podcast Depois de Duas para falar sobre o filme, confira aqui.

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